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O valor e o custo da electricidade produzida por sistemas Solares (Fotovoltaicos) (Download)

(Levelised Cost of Electricity – LCOE, incentivos, política energética)

Sumário Executivo

Descarbonizar a economia é um dos objectivos essenciais para o cumprimento dos compromissos COP21. A área da energia é a que mais contribui para introdução de carbono na atmosfera, dada a enorme dependência que a economia tem do recurso a combustíveis fósseis. São necessárias tecnologias limpas, as das Energias Renováveis.
Neste breve estudo pretende-se apresentar e discutir algumas condicionantes à introdução destas novas tecnologias para a produção de electricidade – em particular as do solar – desenvolvendo alguns pontos de vista, muitas vezes ignorados, quando se entra de forma cega numa discussão/comparação de custos sem se reconhecer que, regra geral, não se está a falar de realidades directamente comparáveis.
São dois os grandes motivos para esta divergência:
– Há um valor acrescentado significativo que as tecnologias renováveis, como o fotovoltaico, trazem sobre a produção fóssil convencional; ignorar este valor acrescentado, distorce o mercado a favor da manutenção do “status quo” o que, no limite, prejudica os consumidores
– A contabilização do MWh renovável, logo também a do PV, é feita com base no cálculo do LCOE (Levelized Cost of Electricity), enquanto o custo do MWh de origem fóssil convencional é feito apenas com base no custo do combustível utilizado, duas realidades inteiramente diferentes e que não deveriam ser legitimamente comparáveis.
O valor acrescentado resulta de uma longa lista de vantagens das energias renováveis e que incluem factores como: serem fontes de energia limpas, não contribuírem para o efeito de estufa, não necessitarem de ser importadas, com impacte sobre a balança de pagamentos, gerarem emprego e movimentarem a economia à escala local de forma muito significativa, terem o potencial de poder envolver indústria nacional de forma considerável, quando correspondem a produção descentralizada, de reduzirem as perdas nas redes de transporte e distribuição, serem responsáveis pelo que se apelida de MOE (Merit Order Effect), isto é, têm o potencial de reduzirem o custo do mix convencional quando estão presentes.
Os cálculos que se apresentam mostram que esta valorização tem hoje um valor bem superior a 20 €/MWh e pode e deve ser tida em conta na definição de qualquer tarifa, sem que isso se possa entender como um subsídio.
Os cálculos do LCOE mostram que os valores de hoje tornam o PV praticamente nivelado (paridade) com os custos pagos pelos consumidores, nos sectores comercial e residencial, pelo que a actual lei do autoconsumo, concebida para apenas permitir um mínimo de PV descentralizado, deveria evoluir para dar lugar a uma situação de “net metering” equilibrado que já não necessita hoje de uma definição de tarifa especial para a viabilizar.
Os mesmos cálculos para o sector de produção mostram que a situação do cálculo do LCOE para o PV pode, hoje, conduzir a valores que se aproximam dos 71 €/MWh. Estes valores são muito semelhantes e mesmo inferiores (depende da deriva da energia que se considere) aos que se obtêm para uma central a gás natural, quando se calcula o seu LCOE, mas estão ainda muito longe de um custo de ~53 €/MWh que se obtém só com os preços de combustível para a mesma central a gás.
Argumenta-se que, no sector de produção, a política a adoptar necessita de duas condições: (1) fixar a tarifa para o MWh durante o tempo de vida da central, (2) considerar uma bonificação que resulta do valor acrescentado do PV, sem que isso possa ser considerado um subsídio.
A conclusão final é a de que uma politica energética que contemple os vários aspectos acima referidos, será um dos principias ingredientes para permitir a Portugal cumprir os seus compromissos no âmbito do COP21, descarbonizando de forma importante a sua economia e colocando o país na situação de garantir hoje energia barata a longo prazo para os seus cidadãos.
Com a hídrica e a eólica, com o PV em produção descentralizada e com a produção centralizada a partir de centrais Termosolares (CSP com armazenamento), Portugal poderá atingir níveis de produção renovável da ordem de 100% e até vir a exportar energia eléctrica para a União Europeia.

 

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