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Energia solar e a transformação do consumidor em consumidor/produtor de energia eléctrica

By IPES_admin2017 on 24 Julho, 2013 in Sem categoria
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Portugal e a Energia (Download)

Energia solar e a transformação do consumidor em consumidor/produtor de energia eléctrica

Tem-se ouvido a ideia (Entrevista Director DGGE ao “Edifícios e Energia”, Maio/Junho 2013) de que tecnologias como a solar fotovoltaica não estariam ainda maduras. Logo não poderiam ainda ser utilizadas de per si, com racionalidade económica hoje em dia.

A tecnologia solar fotovoltaica conta hoje com uma superfície de painéis instalados correspondentes a mais de 100 GW de potência nominal, em todo o mundo (ver Fig.1). Continua a evoluir, como todas as tecnologias de utilização massiva evoluem, em busca de custos de produção que podem ainda ser mais baixos, mas valores desta ordem de grandeza não podem deixar de ter associados um grau de maturidade muito grande.

E a racionalidade económica?

A Fig. 1 mostra que hoje se instalam sistemas PV a valores abaixo dos 1U.S.$/Wp (0.76 euro/Wp). Contudo estes serão sistemas correspondentes a potências instaladas grandes. Nos sectores residencial, serviços e industrial, para potências substancialmente mais baixas (até algumas dezenas de kW) e em Portugal, é possível instalar hoje sistemas PV estacionários com valores entre 1.3 e 1.7 euro/Wp.

Na Fig. 2 apresentamos um gráfico (obtido com dados de radiação solar de Lisboa, para um sistema PV(1), inclinado à latitude e com azimute sul, e um PR de 0.79) em que no eixo das ordenadas está o valor de venda do kWh produzido e no das abscissas o custo do Wp instalado. As linhas no gráfico correspondem ao número de anos para uma recuperação simples do investimento.

 

Assinalamos um ponto no cruzamento das rectas a tracejado azul correspondentes à tarifa de 0.19 euro/kWh (um valor que muitos consumidores pagam nas suas casas) com uma recta de custo instalado de 1.5 euro/Wp. Esse ponto está entre as linhas que correspondem a 5 e a 6 anos de recuperação simples do investimento (2).

Em Portugal os elevados valores de tarifa praticados incidiram sobre um acumulado de potência instalada muito pequeno, pelo que tem sido muito pouco séria a acusação de que este sobrecusto estaria a causar uma subida elevada da tarifa que pagamos aos nossos fornecedores (3).

Contudo, o que é importante fazer notar é que, mesmo para uma potência instalada ainda muito pequena, esta politica de tarifas favoráveis conduziu ao aparecimento no mercado de um grande número de empresas instaladoras, importadoras, fabricantes, que geraram actividade económica e muito mais serão capazes de gerar na nova fase que uma politica de “netmetering” poderá criar, de um dia para o outro. A racionalidade da análise levaria a colocar num prato da balança o total do sobrecusto das tarifas e no outro o impacte sobre o PIB e outras consequências de toda a actividade. Um estudo deste tipo feito em Espanha pela Deloite para a AEE(4), deu como resultado que os benefícios directos e indirectos sobre o PIB excederam directamente em ~ 5 vezes
o custo para o Estado.

Com referência ao anterior documento desta série, esta é uma instância onde é assim possível demonstrar que a incidência de um investimento em FER (fotovoltaico) sobre a intensidade energética, vai no sentido de a diminuir, o sentido que a todos nos interessa, contrariamente ao que afirma a Resolução do Conselho de Ministros nº20/2013 de 10 de Abril de 2013.

Mas, apesar da maturidade do sector, há ainda uma evolução contínua com novas tecnologias a abrirem novas oportunidades para o sector e uma redução potencial de custo ainda maior.

Um exemplo é o da alta concentração (HCPV) combinada com células do tipo multijunção de rendimento muito mais elevado que o que hoje se obtém com as células de junção simples.

Em Portugal arrancam agora alguns projectos em HCPV com dimensão de 1MW e até superior, para um tipo de produção centralizada cuja promessa de redução de custo de produção no futuro é muito interessante. Envolvem empresas portuguesas, fabricantes com tecnologia própria, empresas de engenharia e promotores.

Pela fase em que ainda está este tipo de tecnologia, necessita de apoio para poder dar os seus primeiros passos no mercado, através da sua demonstração a uma escala que permita fazer emergir claramente o seu potencial.

Esse apoio pode vir de uma tarifa especial (cujo valor, aliás, deveria estar indexado desde inicio ao progresso da própria tecnologia até, de projecto em projecto, se atingir a paridade com a rede) ou pode vir de outros mecanismos, como por exemplo comparticipações “one shot” a fundo perdido, financiamentos com juros reduzidos, benefícios fiscais e outros para os promotores e outras possibilidades que não têm sido exploradas. A origem dos fundos para estes financiamentos pode também estar associada a fundos com ligação directa à Energia, como os Fundos de Carbono.

Detectámos na Secretaria de Estado de Energia abertura para a consideração de alguns destes mecanismos e esse facto é de saudar de forma muito positiva.

 

Évora, 23/07/2013
Direcção do IPES

 


(1)Estes cálculos são válidos para qualquer painel fotovoltaico, i.e. independentemente do seu rendimento, já que essa informação esta absorvida no custo do Wp que resulta do custo por m2 do
painel.

(2)Paridade com a rede a nível da distribuição? Estamos efectivamente muito perto ou até mesmo já nessa situação.

(3)Para lá de todos factores que fazem subir o preço que pagamos pela electricidade e que não têm nada que ver com as energias renováveis, hoje a electricidade está substancialmente mais cara do que poderia/deveria ser, por causa da subida do IVA, uma subida de 5 para 23%! No bolso pesa e o consumidor menos esclarecido fica vulnerável à propaganda anti-ER! Quanto à energia eólica o seu sobrecusto começou por rondar os 5 cêntimos, mas hoje, nos últimos leilões de tarifa, está praticamente igual a zero. De facto se forem internalizados no custo da electricidade fóssil, todos os custos dos factores “externos” (impacte ambiental, impacte sobre a importação de energia primaria, etc) o sobrecusto para a eólica será, hoje , já negativo: i.e a eólica emerge ganhadora! Emerge, também como uma forma de fixar o custo da electricidade por um período de 15 anos, algo que vai ter um enorme impacte no futuro, com os combustíveis fósseis a subir.

(4)AEE- Estudo macroeconomico del impacto del Sector Eólico en España, Deloitte, Novembro 2008

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